terça-feira, 11 de outubro de 2011

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia 
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia.
- Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia 
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia ...
Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia 
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria 
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia 
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia
Meu amor, meu amor. Minha estrela da tarde, que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde 
Meu amor, meu amor. Eu não tenho a certeza, Se tu és a alegria ou se és a tristeza 
Meu amor, meu amor. Eu não tenho a certeza.
Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram 
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram 
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram 
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram
Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram 
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam 
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram 
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram
Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto 
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto 
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto. 
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto 
Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto.


José Carlos Ary dos Santos

Nenhum comentário:

Postar um comentário